Vamos precisar de todo mundo...
Quinta | 21 de Maio de 2020
Vamos precisar de todo mundo...

Na data em que completamos 30 anos, temos diante de nós um gigantesco desafio, não só enfrentar um vírus com potencial letal, mas também reinventar as nossas vidas, relações pessoais, trabalho e lazer. Temos que aprender um novo jeito de andar no mundo, pois a  natureza reagiu a nossa forma negligente, predatória e egocêntrica de lidarmos com ela.

Lamentavelmente, o Coronavírus nos encontrou desunidos, e por isso, fragilizados. Nossas “lideranças políticas” não estão priorizando a preservação da vida como o bem mais precioso, mas sim, confundindo e dividindo a sociedade. Sei que posso desagradar boa parte de nossos filiados, mas neste momento gravíssimo, tenho o dever de alertar que esta não é “só uma gripezinha”.  Quem, como o atual presidente, afirma que “muitos vão morrer, e daí?” e não sente um pingo de mal estar, está mentalmente muito doente. Duvido que uma mãe, ao perder seu filho para “a gripezinha”, não queira “avançar no pescoço” do presidente que chamou de covarde e vagabundo quem ficasse em casa. Me permitam usar este espaço com a responsabilidade que me foi atribuída e implorar: OUÇAM OS MÉDICOS! FIQUEM EM CASA E SE PRECISAREM SAIR, PROTEJAM-SE!

Os noticiários da TV não estão cantando números de bingo, estão contando mortos, filhos, avós, pais, irmãos, amores, amigos e colegas. Rogo que entremos em contato com nosso instinto de sobrevivência, equilíbrio interior e clareza. Busquemos nosso senso crítico que passa também por ouvir nosso coração. Todos nós já passamos por temporais e aprendemos a manejar nossas velas na direção da terra firme da estabilidade emocional. Neste momento, nosso porto seguro é nossa casa. É nela que que devemos manter nossas ancoras para seguirmos novos rumos depois dessa tempestade. O isolamento social é o único caminho para proteção e preservação da vida de todos. Nossos pés, descalços pela humildade imposta pelo momento, percorrem nossas trilhas internas e nos mostram que somos todos um só. Solidariedade e empatia são as lições que a vida está nos oferecendo.

Estamos precisando uns dos outros e vamos precisar ainda mais. Não podemos jamais abandonar familiares e amigos, pois nada fará sentido sem o senso de coletividade e a prática da empatia, de colocar-se no lugar do outro. Teremos que aprender a dar braços ao nosso coração para podermos abraçar nossos amores. Não é a distância física que afasta as pessoas, mas sim a falta de afinidade e a indiferença. Ainda não sabemos quando poderemos demostrar nosso afeto num abraço acolhedor, passarmos o mate (como quem compartilha o cachimbo da paz) ou dividirmos o guarda-chuva com a colega. Anseio pelo dia em que possamos nos encontrar para dançarmos e rirmos juntos, falarmos bem alto como nas mesas dos domingos da infância.

Anseio pelo momento de abrir as portas do nosso sindicato, encontrar a todos, ouvir suas histórias, vê-las sorrindo, cantando, dançando e vibrando pela vida, dando um novo valor a tudo! Que saibamos vivenciar este momento e valorizar quem somos e quem temos ao nosso lado. Somos todos fibras de um feixe que jamais se romperá.

Um brinde à saúde de todos e aos 30 anos do nosso Sinapers!

*Texto da presidente Katia Terraciano para o Jornal do Sinapers, edição maio/2020.