Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz

Na medida em que os anos vão nos atropelando, vamos nos dando conta de que nem tudo saiu como imaginávamos. Nós imaginamos, mas não plantamos. Não plantamos a solidariedade, a civilidade, o comprometimento com o outro. Não nos preocupamos em plantar o respeito mútuo, achando que ele nasceria por si só. 

Esquecemos de plantar amizades e regá-las com o amor. O amor, pelo outro e por nós próprios, é o que torna possível o florescer de todos os frutos que queremos colher em nossas vidas. Se não amo a mim, precisarei das pessoas e não saberei amá-las. Se não me amo, não me sinto merecedor da felicidade e preparo para mim mesmo, um pacote de armadilhas. Desperdiçamos tantas oportunidades, pessoas e bens materiais e economizamos sorrisos, simpatia e solidariedade. A cordialidade caiu em desuso? Quero que sejam cordiais comigo, mas, e eu, sou cordial com meus vizinhos? Só posso me amar se estiver em paz comigo mesmo. Não me refiro a inércia e a omissão, mas a paz que nasce quando temos a certeza de termos feito tudo o que pudemos para nos sentirmos merecedores de um imenso jardim repleto de amor e felicidade. Lembrem-se: “São os passos que fazem os caminhos”, e um sorriso de bom dia pode ser um primeiro passo para mudança de muitas vidas.
O Sinapers nasceu de mulheres que não se conformaram em ter seus jardins destruídos e deram o primeiro passo na luta por seus direitos. Nosso sindicato está cravado na pedra da legitimidade de quem já teve vidas sacrificadas pela luta. Não pensem os governos que vamos nos calar e aceitar a chuva de espinhos que, sabemos, estão plantando para nós. Vamos lutar pela nossa paz!

Música do título:
Sonho Impossível - Chico Buarque

Quantas guerras terei que vencer por um pouco de paz
Katia Terraciano Moraes
Diretora